Congresso de Logística Aplog
Resposta a alguma questões levantadas por aqui...ou talvez não...
Intervenção da Secretária de Estado dos Transportes na sessão de encerramento do 8º Congresso de Logística da Aplog em 2005-11-16
(Só faz fé a versão efectivamente proferida)
"Minhas Senhoras e meus Senhores
É com muita honra e satisfação que venho participar na sessão de encerramento do 8º Congresso da Associação Portuguesa de Logística, este ano dedicado aos temas da Inovação.
Portugal e a Europa enfrentam hoje um período crucial na sua história, envolvendo directamente a capacidade de inovar e que condicionará a sua capacidade de integração numa nova economia globalizada, mas também fragmentada.
O aumento das cadeias de abastecimento, as crescentes exigências de segurança, de fiabilidade nos fluxos de transporte e de informação irão, cada vez mais, valorizar os processos logísticos e a capacidade das empresas em integrarem rapidamente novas tecnologias. Será esse sem dúvida o vector de diferenciação.
O Governo está apostado numa nova estratégia para o desenvolvimento do sector logístico.
Esta nova estratégia passa por valorizar e optimizar os investimentos já realizados, potenciando a nossa localização geográfica face aos fluxos globais da nova economia. Neste sentido, reconhecemos as potencialidades e a transversalidade da logística como uma nova componente do nosso modelo de crescimento e desenvolvimento sócio-económico.
No sistema dos transportes iremos combater a nossa localização geográfica periférica através da criação de uma nova centralidade marítima e aérea e valorizando, nos modos terrestres, o papel da ferrovia nas ligações ibéricas e europeias.
São exemplos desta política de transportes, o projecto Portmos, o novo aeroporto da Região de Lisboa, a modernização do sistema ferroviário, as ligações de alta-velocidade e o nosso empenho no Projecto Prioritário 16 do corredor transeuropeu de mercadorias Sines/Algeciras-Madrid-Paris.
O projecto «Desenvolvimento do Sistema Logístico Nacional», em que estamos a trabalhar, tem como objectivo constituirmo-nos como um elo nas cadeias intercontinentais e europeias, assegurando uma prestação de excelência nos serviços de logística e de transporte.
Nesse sentido, alguns projectos âncora estão a ser negociados em coordenação com o Ministério da Economia e Inovação e neste momento já conseguimos a localização em Portugal do Centro de Distribuição de Produtos Brasileiros para a Península Ibérica e Europa do Sul.
Minhas Senhoras e meu senhores,
É tempo de valorizarmos a obra que vai sendo executada, com realismo e sem lamúrias.
Neste momento estão em curso acções concretas que vão no sentido de facilitar o desenvolvimento do sistema logístico nacional.
Neste sentido é importante sublinhar o esforço que tem vindo a ser feito pelas Administrações Portuárias e pelas Alfândegas para implementação do despacho electrónico dos meios de transporte e das mercadorias, com resultados muito positivos para a desburocratização e agilização da cadeia logística de transportes.
Para além disso, no que respeita às infra-estruturas vamos, em primeiro lugar, valorizar e reorientar a capacidade instalada.
O facto de dispormos de um importante sistema portuário com valências e características diferenciadas, bem como do projecto de um grande aeroporto internacional, dá-nos todas as condições para nos constituirmos como um hub de dimensão ibérica, europeia e global.
É uma oportunidade que iremos desenvolver sabendo que os grandes investimentos já estão em parte realizados. Falta-nos garantir a sua articulação sinérgica, a sua gestão e promoção integrada e investir prioritariamente na melhoria das acessibilidades rodo-ferroviárias.
Neste âmbito, estamos também a avançar com a execução de algumas infra-estruturas estratégicas. Gostaria de realçar que vamos iniciar a primeira fase da Plataforma Logística Policentrada da Área Metropolitana do Porto, com valências rodo e ferroviária.
O Governo também decidiu iniciar a construção da ligação ferroviária ao Porto de Aveiro que permitirá, numa primeira fase, a sua ligação à futura plataforma de Cacia, bem como às linhas do Norte e da Beira Alta, alargando-se também o seu hinterland à região de Salamanca.
Por fim, gostaria de relembrar a decisão deste Governo de, finalmente, proceder à construção do Pólo A da Zona de Actividades Logísticas de Sines, que associada à ligação ferroviária Sines-Elvas/Badajoz e a uma nova Plataforma Logística a localizar na zona de Elvas, permitirá aumentar o hinterland dos nossos portos de Sines, de Lisboa e de Setúbal.
Já a um outro nível, temos consciência do problema da distribuição urbana de mercadorias, que é, concerteza, sentido por muitas empresas representadas neste fórum.
A progressiva concentração demográfica e de actividades nos centros urbanos é um fenómeno constante à escala mundial. Mais de 80 % das deslocações de mercadorias nas Áreas Metropolitanas da Europa têm distâncias inferiores a 80 km e destinam-se às áreas centrais, onde se localizam as principais actividades, com impactes significativos no seu desenvolvimento, no meio ambiente e no sistema de transportes.
Este problema ganha mais complexidade porque as cidades consomem mais do que produzem e têm uma situação determinante na cadeia de abastecimento; são o elo final desta cadeia e onde as deslocações utilizam quase exclusivamente o modo rodoviário, aumentando a já grande conflitualidade de interesses dos vários actores na ocupação da rede viária urbana.
Paralelamente, importantes alterações estruturais têm conduzido a modificações significativas na cadeia de valor e de abastecimento:
o envelhecimento da população e a diminuição da dimensão das famílias que conduzem a um aumento da procura (que tende a ser em tempo real) e da sua segmentação;
a crescente valorização da sustentabilidade do desenvolvimento das cidades, em particular nos segmentos do meio ambiente, da mobilidade e da qualidade de vida urbana;
e a banalização e intensificação nos uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) que facilitam a alteração das cadeias no sentido B2B (business to business) para o B2C (business to consumer) com o estabelecimento de novas plataformas (e-platforms).
Os operadores têm respondido com alterações nos seus esquemas de distribuição e logística:
personalizando produtos;
diminuindo o volume das cargas e melhorando o «packing»;
aumentando o número de veículos, diminuindo-lhes a capacidade, aumentando frequências e tendo menos transporte em vazio; e
reorganizando fluxos e optimizando rotas.
Este processo tem conduzido a roturas de carga adicionais com o consequente aumento de riscos. Por outro lado, aumentando o número das paragens, que são cada vez mais frequentes, o problema da «última milha» transforma-se no «último metro» (onde estacionar (?), o cliente estará em casa (?), códigos de entrada, gerir o eventual retorno do produto, etc).
O vigor de uma economia urbana depende em muito do nível e dos padrões de mobilidade de pessoas e bens. O congestionamento gera importantes deseconomias (tempo, poluição, degradação do espaço público, etc). Retirar obstáculos à mobilidade de pessoas e bens tornou-se uma medida crítica e prioritária.
A distribuição urbana de mercadorias é um factor determinante no desenvolvimento económico: por um lado, sustenta o crescimento da base económica urbana e, por outro, é responsável por um número considerável de impactes negativos.
Uma política de mobilidade é essencial para promover a competitividade. Em ambiente urbano é prioritário um equilíbrio entre a vitalidade económica e a acessibilidade generalizada aos bens e serviços.
Assim, o Governo vai brevemente promover a realização de uma experiência piloto numa cidade de média dimensão que estude de forma integrada a mobilidade de pessoas e bens com o objectivo de, numa óptica de sustentabilidade, aumentar a acessibilidade, melhorar a qualidade do ambiente urbano, aumentar a eficiência da cadeia de transportes e fortalecer a dinâmica de desenvolvimento e crescimento da base económica urbana.
É para este conjunto de grandes desafios que contamos com os nossos parceiros da sociedade civil, de entre os quais destaco a Aplog pela qualidade das plataformas de comunicação a que nos vem habituando e pelo esforço que tem dispendido na qualificação e na promoção da logística."
"Minhas Senhoras e meus Senhores
É com muita honra e satisfação que venho participar na sessão de encerramento do 8º Congresso da Associação Portuguesa de Logística, este ano dedicado aos temas da Inovação.
Portugal e a Europa enfrentam hoje um período crucial na sua história, envolvendo directamente a capacidade de inovar e que condicionará a sua capacidade de integração numa nova economia globalizada, mas também fragmentada.
O aumento das cadeias de abastecimento, as crescentes exigências de segurança, de fiabilidade nos fluxos de transporte e de informação irão, cada vez mais, valorizar os processos logísticos e a capacidade das empresas em integrarem rapidamente novas tecnologias. Será esse sem dúvida o vector de diferenciação.
O Governo está apostado numa nova estratégia para o desenvolvimento do sector logístico.
Esta nova estratégia passa por valorizar e optimizar os investimentos já realizados, potenciando a nossa localização geográfica face aos fluxos globais da nova economia. Neste sentido, reconhecemos as potencialidades e a transversalidade da logística como uma nova componente do nosso modelo de crescimento e desenvolvimento sócio-económico.
No sistema dos transportes iremos combater a nossa localização geográfica periférica através da criação de uma nova centralidade marítima e aérea e valorizando, nos modos terrestres, o papel da ferrovia nas ligações ibéricas e europeias.
São exemplos desta política de transportes, o projecto Portmos, o novo aeroporto da Região de Lisboa, a modernização do sistema ferroviário, as ligações de alta-velocidade e o nosso empenho no Projecto Prioritário 16 do corredor transeuropeu de mercadorias Sines/Algeciras-Madrid-Paris.
O projecto «Desenvolvimento do Sistema Logístico Nacional», em que estamos a trabalhar, tem como objectivo constituirmo-nos como um elo nas cadeias intercontinentais e europeias, assegurando uma prestação de excelência nos serviços de logística e de transporte.
Nesse sentido, alguns projectos âncora estão a ser negociados em coordenação com o Ministério da Economia e Inovação e neste momento já conseguimos a localização em Portugal do Centro de Distribuição de Produtos Brasileiros para a Península Ibérica e Europa do Sul.
Minhas Senhoras e meu senhores,
É tempo de valorizarmos a obra que vai sendo executada, com realismo e sem lamúrias.
Neste momento estão em curso acções concretas que vão no sentido de facilitar o desenvolvimento do sistema logístico nacional.
Neste sentido é importante sublinhar o esforço que tem vindo a ser feito pelas Administrações Portuárias e pelas Alfândegas para implementação do despacho electrónico dos meios de transporte e das mercadorias, com resultados muito positivos para a desburocratização e agilização da cadeia logística de transportes.
Para além disso, no que respeita às infra-estruturas vamos, em primeiro lugar, valorizar e reorientar a capacidade instalada.
O facto de dispormos de um importante sistema portuário com valências e características diferenciadas, bem como do projecto de um grande aeroporto internacional, dá-nos todas as condições para nos constituirmos como um hub de dimensão ibérica, europeia e global.
É uma oportunidade que iremos desenvolver sabendo que os grandes investimentos já estão em parte realizados. Falta-nos garantir a sua articulação sinérgica, a sua gestão e promoção integrada e investir prioritariamente na melhoria das acessibilidades rodo-ferroviárias.
Neste âmbito, estamos também a avançar com a execução de algumas infra-estruturas estratégicas. Gostaria de realçar que vamos iniciar a primeira fase da Plataforma Logística Policentrada da Área Metropolitana do Porto, com valências rodo e ferroviária.
O Governo também decidiu iniciar a construção da ligação ferroviária ao Porto de Aveiro que permitirá, numa primeira fase, a sua ligação à futura plataforma de Cacia, bem como às linhas do Norte e da Beira Alta, alargando-se também o seu hinterland à região de Salamanca.
Por fim, gostaria de relembrar a decisão deste Governo de, finalmente, proceder à construção do Pólo A da Zona de Actividades Logísticas de Sines, que associada à ligação ferroviária Sines-Elvas/Badajoz e a uma nova Plataforma Logística a localizar na zona de Elvas, permitirá aumentar o hinterland dos nossos portos de Sines, de Lisboa e de Setúbal.
Já a um outro nível, temos consciência do problema da distribuição urbana de mercadorias, que é, concerteza, sentido por muitas empresas representadas neste fórum.
A progressiva concentração demográfica e de actividades nos centros urbanos é um fenómeno constante à escala mundial. Mais de 80 % das deslocações de mercadorias nas Áreas Metropolitanas da Europa têm distâncias inferiores a 80 km e destinam-se às áreas centrais, onde se localizam as principais actividades, com impactes significativos no seu desenvolvimento, no meio ambiente e no sistema de transportes.
Este problema ganha mais complexidade porque as cidades consomem mais do que produzem e têm uma situação determinante na cadeia de abastecimento; são o elo final desta cadeia e onde as deslocações utilizam quase exclusivamente o modo rodoviário, aumentando a já grande conflitualidade de interesses dos vários actores na ocupação da rede viária urbana.
Paralelamente, importantes alterações estruturais têm conduzido a modificações significativas na cadeia de valor e de abastecimento:
o envelhecimento da população e a diminuição da dimensão das famílias que conduzem a um aumento da procura (que tende a ser em tempo real) e da sua segmentação;
a crescente valorização da sustentabilidade do desenvolvimento das cidades, em particular nos segmentos do meio ambiente, da mobilidade e da qualidade de vida urbana;
e a banalização e intensificação nos uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) que facilitam a alteração das cadeias no sentido B2B (business to business) para o B2C (business to consumer) com o estabelecimento de novas plataformas (e-platforms).
Os operadores têm respondido com alterações nos seus esquemas de distribuição e logística:
personalizando produtos;
diminuindo o volume das cargas e melhorando o «packing»;
aumentando o número de veículos, diminuindo-lhes a capacidade, aumentando frequências e tendo menos transporte em vazio; e
reorganizando fluxos e optimizando rotas.
Este processo tem conduzido a roturas de carga adicionais com o consequente aumento de riscos. Por outro lado, aumentando o número das paragens, que são cada vez mais frequentes, o problema da «última milha» transforma-se no «último metro» (onde estacionar (?), o cliente estará em casa (?), códigos de entrada, gerir o eventual retorno do produto, etc).
O vigor de uma economia urbana depende em muito do nível e dos padrões de mobilidade de pessoas e bens. O congestionamento gera importantes deseconomias (tempo, poluição, degradação do espaço público, etc). Retirar obstáculos à mobilidade de pessoas e bens tornou-se uma medida crítica e prioritária.
A distribuição urbana de mercadorias é um factor determinante no desenvolvimento económico: por um lado, sustenta o crescimento da base económica urbana e, por outro, é responsável por um número considerável de impactes negativos.
Uma política de mobilidade é essencial para promover a competitividade. Em ambiente urbano é prioritário um equilíbrio entre a vitalidade económica e a acessibilidade generalizada aos bens e serviços.
Assim, o Governo vai brevemente promover a realização de uma experiência piloto numa cidade de média dimensão que estude de forma integrada a mobilidade de pessoas e bens com o objectivo de, numa óptica de sustentabilidade, aumentar a acessibilidade, melhorar a qualidade do ambiente urbano, aumentar a eficiência da cadeia de transportes e fortalecer a dinâmica de desenvolvimento e crescimento da base económica urbana.
É para este conjunto de grandes desafios que contamos com os nossos parceiros da sociedade civil, de entre os quais destaco a Aplog pela qualidade das plataformas de comunicação a que nos vem habituando e pelo esforço que tem dispendido na qualificação e na promoção da logística."

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